6 de jul. de 2026

OBSERVATÓRIO DOS DIREITOS HUMANOS 2025 REVELA A DISTÂNCIA ENTRE OS DIREITOS CONSAGRADOS E A REALIDADE VIVIDA NA GUINÉ-BISSAU

O Observatório dos Direitos Humanos 2025, desenvolvido pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) e pela Associação para a Cooperação entre os Povos (ACEP), apresentou hoje o seu sétimo relatório sobre os indicadores dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Assente numa década de monitorização sistemática da realidade nacional, o estudo constitui um dos mais importantes instrumentos independentes de avaliação das condições de acesso aos direitos fundamentais no país. Baseado em 1.127 inquéritos, realizados junto de 632 agregados familiares (6.484 pessoas), 395 escolas, 12 centros de formação profissional, 50 unidades de saúde e 38 estabelecimentos de detenção, o relatório demonstra que, apesar dos progressos registados nas últimas décadas, o Estado continua longe de assegurar o exercício pleno dos direitos fundamentais consagrados na Constituição e nos instrumentos internacionais que ratificou.

A iniciativa contou com o apoio financeiro da União Europeia, no âmbito de um projeto de reforço da sociedade civil que permitiu capacitar mais de 400 ativistas, pertencentes a mais de 100 organizações da sociedade civil de todo o país. O projeto promoveu igualmente dezenas de djumbais comunitários e ações de sensibilização que envolveram mais de 500 participantes, reforçando a participação cívica e a consciencialização das comunidades sobre os seus direitos.

Os resultados traçam um retrato exigente da realidade nacional. Apesar da existência de um quadro jurídico relativamente robusto e de alguns progressos em áreas como a educação, a saúde e a igualdade de género, o acesso aos direitos continua profundamente condicionado pelo local onde se nasce, pelo rendimento das famílias e pela reduzida capacidade das instituições públicas para garantir serviços básicos de qualidade. O relatório demonstra que a desigualdade continua a ser um dos principais fatores de exclusão social na Guiné-Bissau.

Na educação, as estatísticas revelam que milhares de crianças e jovens continuam a ver o seu futuro comprometido. O abandono escolar atinge 46,4% das raparigas no ensino secundário e 45,8% no ensino superior, refletindo o impacto da pobreza, dos casamentos precoces, da maternidade e da insuficiente proteção social. Estes números demonstram que o direito à educação permanece, para muitos, um direito formal e não uma realidade efetiva.

As condições de habitação e de acesso aos serviços essenciais confirmam igualmente a persistência de privações inaceitáveis. Mais de metade das famílias (53%) vive em situação de sobrelotação grave, apenas 29% dispõe de água canalizada e 51% continua dependente de poços para abastecimento de água. Embora 61,6% das habitações utilizem painéis solares, esta realidade reflete sobretudo a capacidade de adaptação das famílias perante a insuficiência dos serviços públicos, e não uma política estruturada de acesso universal à energia.

No setor da saúde, os dados desmontam a ideia de que a população rejeita os serviços públicos. Pelo contrário, 67,6% recorrem aos centros de saúde e 51,4% aos hospitais quando enfrentam doenças graves. O problema reside na incapacidade do sistema para responder às necessidades da população. 84,5% das mulheres suportam custos nas consultas pré-natais, enquanto muitos estabelecimentos continuam sem água, eletricidade, equipamentos, medicamentos ou profissionais suficientes. O direito à saúde continua demasiado dependente da capacidade de pagamento das famílias e do apoio dos parceiros internacionais.

Também na igualdade de género persistem profundas contradições. Embora a autonomia das mulheres na decisão sobre o casamento tenha aumentado de 24,9% para 52,7%, cerca de 75% continuam inseridas no setor informal, menos de 10% têm emprego formal e 43,2% vivem em situação de baixo acesso aos direitos. Os progressos legislativos não têm sido acompanhados por mudanças estruturais suficientemente rápidas para eliminar desigualdades persistentes no acesso ao rendimento, ao poder de decisão e à proteção contra a violência.

No domínio ambiental e económico, os problemas identificados pela população falta de água (51,6%), lixo doméstico (50%) e desflorestação (42,4%) demonstram que a degradação ambiental afeta diretamente a saúde, a alimentação e os meios de subsistência. Apesar de uma ligeira melhoria no número de famílias que realizam três refeições por dia, a economia continua excessivamente dependente da agricultura de subsistência, da informalidade e das redes familiares, refletindo a vulnerabilidade estrutural do país.

Na apresentação do relatório, o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos afirmou que o Observatório «não é apenas um relatório técnico», mas um instrumento de cidadania, conhecimento e prestação de contas. Evocando Amílcar Cabral, recordou que a independência só cumpre o seu verdadeiro propósito quando garante educação, saúde, justiça e dignidade para todos. Cinquenta anos depois da independência, considerou que a promessa de uma vida digna continua por cumprir para demasiados guineenses e alertou que os dados agora apresentados «não pedem compaixão nem procuram culpados; pedem responsabilidade, compromisso e ação».

O relatório constitui, por isso, um alerta claro para os decisores públicos. Os direitos humanos não podem continuar a existir apenas nos textos legais ou nos compromissos internacionais assumidos pelo Estado. Exigem investimento público consistente, instituições eficazes, maior responsabilização e políticas orientadas para a redução das desigualdades. Enquanto milhares de cidadãos continuarem sem acesso adequado à educação, à saúde, à água, à justiça ou a condições de vida dignas, a promessa constitucional de igualdade permanecerá incompleta. O Observatório desafia, assim, o Estado, a sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento a transformar a evidência produzida em decisões concretas que coloquem a dignidade humana no centro das políticas públicas.








2 de jul. de 2026

APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO "OBSERVANDO DIREITOS NA GUINÉ-BISSAU 2025"

 Na próxima segunda-feira, dia 6 de Julho, é apresentado na Casa dos Direitos da Guiné-Bissau o relatório Observando Direitos na Guiné-Bissau 2025, que analisa e monitoriza um conjunto de indicadores de direitos humanos no país.










A apresentação estará a cargo de Carlos Sangreman (coordenador científico), bem como de Armando Correia e Claudina Viegas (co-autores do relatório).

Este documento resulta de um processo de recolha de informação no terreno, assegurada por antenas regionais da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), em áreas como a Educação e Formação, Saúde, Habitação, Saneamento, Energia, Água, Justiça, Meios de Subsistência, Ambiente, Igualdade de Género, Direitos Cívicos, Desespero e Resiliência e Bem-Estar.

O projecto é dinamizado pela Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP), em parceria com a LGDH e financiamento da União Europeia.

3 de nov. de 2025

PRÉMIO JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS 2025: CANDIDATURAS ABERTAS ATÉ 21 DE NOVEMBRO



A Casa dos Direitos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, a Associação para a Cooperação Entre os Povos e o Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento lançam mais uma edição do Prémio Jornalismo e Direitos Humanos na Guiné-Bissau com o objectivo de reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e a defesa dos direitos humanos.

À semelhança dos anos anteriores, haverá a entrega de prémios nas categorias de TV, Rádio e Imprensa Escrita, no valor de 300.000 CFA, um computador portátil, um certificado e um conjunto de livros sobre Direitos Humanos.

Consulte o regulamento do prémio aqui. As candidaturas estão abertas até 21 de Novembro de 2025.

4 de nov. de 2024

PRÉMIO JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS: CANDIDATURAS ABERTAS ATÉ 30 DE NOVEMBRO



A Casa dos Direitos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, a Associação para a Cooperação Entre os Povos e o Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento lançam mais uma edição do Prémio Jornalismo e Direitos Humanos na Guiné-Bissau com o objectivo de reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e a defesa dos direitos humanos.

À semelhança dos anos anteriores, haverá a entrega de prémios nas categorias de TV, Rádio e Imprensa Escrita, no valor de 300.000 CFA, um computador portátil, um certificado e um conjunto de livros sobre Direitos Humanos.

Consulte o regulamento do prémio aqui. As candidaturas estão abertas até 30 de Novembro de 2024.

9 de nov. de 2022

PRÉMIO "JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS": ABERTURA DO CONCURSO PARA A 9.ª EDIÇÃO




Pelo nono ano consecutivo, os promotores da Casa dos Direitos divulgam este galardão com o objectivo de reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e à defesa dos direitos humanos.

O concurso inclui um prémio de 300.000 CFA, e um conjunto de livros sobre a temática dos direitos humanos para cada uma das categorias seguintes:

a) Imprensa escrita de âmbito nacional;
b) Rádio de âmbito nacional ou comunitária;
c) Televisão de âmbito nacional ou comunitário.

O período para entrega das candidaturas termina a 30 de Novembro, nos seguintes endereços:

a) Entrega por correio eletrónico: lgdh6@hotmail.com ou observatoriodireitos.gb@gmail.com;
b) Entrega em suporte papel, USB ou CD: Na Casa dos Direitos, Rua Guerra Mendes, Bissau.

O regulamento do prémio pode ser consultado AQUI.

O anúncio dos vencedores do concurso e a respectiva cerimónia de entrega dos prémios, serão realizadas nas celebrações do Dia Internacional dos Direitos Humanos 10 de Dezembro.

Esta 9.ª edição do prémio é uma iniciativa da LGDH, juntamente com a Casa dos Direitos, a Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP) e o Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CEsA) do ISEG/ULisboa, e conta com o apoio financeiro da Cooperação Portuguesa.

15 de jun. de 2022

OBSERVATÓRIO LANÇA PUBLICAÇÃO COVID-19 E OS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ-BISSAU

É lançado amanhã, dia 16 de Junho, o relatório Observando Direitos na Guiné-Bissau: COVID-19 e os Direitos Humanos, que resulta de uma audição pública realizada na Quinzena dos Direitos da Guiné-Bissau, na Casa dos Direitos, em que foram auscultados vários representantes da sociedade guineense, sobre o impacto da pandemia na situação dos direitos humanos.

A publicação inclui ainda a monitoria sobre a situação dos direitos humanos em 2021, no Sector Autónomo de Bissau e é da autoria de Bubacar Turé (LGDH) e Carlos Sangreman (CEsA/ISEG).



10 de dez. de 2021

QUINZENA DOS DIREITOS 2021: CONHECIDOS OS VENCEDORES DO 8.º PRÉMIO "JORNALISMO E DIREITOS HUMANOS"




Hoje, dia em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, decorreu no Centro Cultural Português em Bissau a entrega do 8.º Prémio Jornalismo e Direitos Humanos.

A Comissão de Júri, composta por Luís Vaz Martins da Casa dos Direitos, António Nunes, adido da Cooperação Portuguesa, Selo Djaló, da Delegação da UE, e Diamantino D. Lopes da SINJOTECS, distinguiu, na cerimónia desta manhã, os seguintes vencedores:

  • Na Categoria de Imprensa Escrita - ALIU BALDÉ do Jonal Nô Pintcha, com a reportagem "Pessoal Menor com Atraso de Salário nas Escolas Públicas"

  • Na Categoria de Imprensa Radiofónica - FILOMENA ALFREDO SAMI da Rádio Difusão Nacional RDD com a reportagem sobre "Práticas Nefastas Encesto"

  • Na Categoria de Imprensa Televisiva - DARCÍCIO BARBOSA, repórter de imagem da TV Bagunda, com a reportagem "Direitos Humanos e Justiça em Djobel"







Este galardão, atribuído anualmente, tem por objectivo reforçar o papel dos jornalistas enquanto agentes de mudança de mentalidades na sociedade guineense, estimulando a construção de uma cultura de participação democrática e cívica, com vista à promoção e à defesa dos direitos humanos.

O Prémio é uma iniciativa do Observatório dos Direitos, que inclui a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), em parceria com a Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP) e o Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CEsA/ISEG), e conta com o financiamento da Cooperação Portuguesa e da União Europeia.